Uma reflexão sobre o livro – GENEALOGIA DA MORAL – A Origem da moral, segundo a concepção pós-moderna de NIETZSCHE: uma conclusão baseada na historicidade, eliminando-se as virtudes aristotélicas, o utilitarismo de Stuart Mill e as obrigações kantianas como os geradores do “ser ético” no homem.

Na pós-modernidade, o entendimento da ética se centrara no abandono em se identificar um ponto central para se definir uma única moral, imutável. Passa-se a identificar que múltiplos grupos sociais têm diferentes moralidades.

E dentro desta nova abordagem pós-moderna, Nietzsche é tido com um dos primeiros grandes pensadores, tendo uma tese central em que a moralidade precisa ser explicada de forma a serem excluídas as vontades não-racionais. Tais racionalidades, traduzidas na forma de interesses, são, de fato para Nietzsche, os condutores das inúmeras morais de muitos povos.

Na busca de uma explicação genealógica da moral humana, Nietzsche parte de uma análise filológica da origem dos termos bom/mau(ruim) e bem/mal. E, a partir de seus estudos, descobre que o entendimento do que se chama de bom não necessariamente vem dos que praticam ações ditas do bem. Foram os ditos bons (nobres, poderosos, superiores em posição e pensamento) que definiram que o que eles praticavam fossem classificados como atos bons, enquanto que os atos oriundos do povo, do populacho, seriam os atos maus. Aqui temos, pois, por Nietzsche, definida a origem da oposição bom/ruim.

O pensador ainda estabelece que o direito do poderoso, do dominador, vai tão pregressamente, que a própria linguagem, nas suas origens, se valeu do poder deste dominante na sua construção, a ponto de bom sempre estar ligado ao nobre, ao correto.

Neste escopo, o filósofo alemão coloca que os conceitos bem/mal (moral dos fracos), diferentemente de bom/mau (moral dos fortes), seria uma moral não natural, imposta pelos ineptos, que não podem lutar pelo que é bom exatamente por serem fracos. Esta moral deles emerge como uma força apoiada no conceito de “minorias oprimidas” e/ou sustentadas pela moral religiosa (no ocidente a moral judaico-cristã), propalando ser o que faz o bem e não o que é bom, o conceito a nortear a moral e a cultura de uma sociedade, bem como o caminho à felicidade individual.

Nietzsche afirma que a análise das palavras bom/mau(ruim) e bem/mal, coubera antes apenas, e de maneira parcial, aos psicólogos ingleses. Esta foi então, a única tentativa feita para elaborar uma história da moral, sendo que ditos psicólogos ingleses atrelavam-na a utilidade e, a isto, Nietzsche corrobora, mas não totalmente, erigindo daí uma crítica.

À origem do moralmente bom/ruim dar-se como que emanando do que é útil, sua crítica apoia-se em uma citação do filósofo Hebert Spencer (que Nietzsche cita no Primeiro Tratado de sua obra Genealogia da Moral) e sua teoria lógica que afirma que “bom” e “útil” são essencialmente semelhantes. O “bom” é o “útil” adaptado. “É ‘bom’ aquilo que sempre se revelou ‘útil’”. Nietzsche explica melhor seu ponto de vista crítico ao utilitarismo, colocando que quando as ações “úteis” passam a ser corriqueiras, não deixam, por isto, de serem “úteis” apenas por passarem ao plano do costumeiro: “essa utilidade foi experiência cotidiana em todas as épocas e portanto continuadamente enfatizado, firmando-se na consciência de maneira sempre mais forte. … conceito de bom como essencialmente igual a útil, conveniente, de modo que bom e ruim a humanidade teria sancionado em suas experiências inesquecidas acerca do útil/conveniente e do nocivo/inconveniente.” (Genealogia da Moral – Primeiro Tratado). Bom = Útil.

Necessário destacar ainda, sobre a conexão bom/aristocrático e mau/populacho, que afirma que o nobre, aristocrático, assim socialmente classificado, é a origem do que hoje se chama de bom. O que é bom, entende-se por espiritualmente virtuoso, eminente, honrado, superior, de uma origem nobre, bem nascido, aristocrata. Já, segundo a análise filológica de Nietzsche, o ruim, pela raiz filogenéticas do termo mau, liga-se ao inepto, mentiroso, inferior.

Portanto, o ponto de vista da utilidade é insuficiente e inaplicável quando se trata da fonte viva dos juízos de valor supremos que fixam e determinam a hierarquia bom/mau(ruim). De fato foi o sentimento e não a utilidade. Por Nietzsche: “…repito, a consciência da superioridade e da distância, o sentimento geral, fundamental e constante de uma espécie superior e dominadora, em oposição a uma espécie inferior e baixa que originou a oposição entre “bom” e “mau”.” (Genealogia da Moral – Primeiro Tratado)

A pesquisa histórica de Nietzsche sobre a origem da moral, o levou a concluir que a moral é uma ideologia baseada numa ilusão: um conjunto de conceitos explicáveis não porque é válido pela racionalidade (Kant), mas sim porque serve a diferentes interesses práticos.

 

Bibliografia:

Dall’Agnol, D, Ética, Filosofia/EaD/UFSC, 2008.

Nietzsche, F. W., Genealogia da moral: uma polêmica; tradução, notas e posfácio Paulo César de Souza. — São Paulo : Companhia das Letras, 2009.

 

 

Teri Roberto Guérios

 

 

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